Brazilcore: relatos de uma tendência elitista e preconceituosa

Recentemente a estética Brazilcore passou a bombar nas redes sociais, principalmente no TikTok. Caso você ainda não esteja por dentro, se trata de produções e roupas que inspiram a bandeira do nosso país.

Entretanto, segundo especialistas, tudo começou quando as fashionistas europeias (sim, europeias!) decidiram que seria legal a apropriação e reprodução do estilo usado nas periferias. Mas o fato é que essas roupas são bastante descriminadas por uma sociedade elitista e racista, que sempre marginalizou tudo que vem das favelas e periferias.

Pois é… Infelizmente, existe uma barreira social muito forte e grave em relação a valorização dessas pessoas tão cheias de talento e percursoras de estilos que você nem imagina… É o caso, por exemplo, da volta da estética dos anos 2000 (Y2K).

O negócio é mais sério do que você imagina!

Essa falta de crédito também é responsável pelo modo que enxergamos a moda. Afinal, grande parte das informações compartilhadas pelos principais veículos de comunicação tem cunho elitista e segregador. Só pra você ter mais uma noção: em março desse ano, quase ninguém ouviu falar do desfile promovido pela Piña, marca do estilista carioca Abacaxi. Mas eu faço questão de lembrar que a apresentação aconteceu nas ruas de Madueira, com peças repletas de recortes, amarrações, transparências e cores da bandeira do Brasil. Um verdadeiro espetáculo!

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Já deu pra sentir que o negócio é mais sério do que você imagina, né? Porém, não devemos nos sentir culpados por essa manipulação. Ao invés disso, devemos nos atentar aos canais e informações que abordam o verdadeiro lado da história da moda no nosso país.

Como escreveu a @transpreta em um post no Instagram da FFW sobre a estética Brazilcore: “brazilcore é o nome dado para uma estética que, mais uma vez, surge nas favelas e só passa a ser reconhecida quando as pessoas brancas e/ou da ‘elite da moda’ passam a utilizá-la.”

“Não é de hoje que, entre becos e vielas, vejo muitos jovens usando camisetas do Brasil ou de outros times esportivos do mundo afora. Infelizmente, quando os nossos usam é feio, brega e démodé, mas precisamos reconhecer que, dentro da favela, surgem muitas tendências que nem sequer são reconhecidas como moda” – continuou Giovanna Heliodor (@transpreta).
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“Historicamente dizendo, isso não é nada recente, mas por 2022 ser um ano de Copa do Mundo e de eleições, o assunto se tornou mais potente lá no Twitter. Só que é importante lembrar que a bandeira do Brasil não é partidária. É um bem coletivo que foi tomado pela direita e nós precisamos nos reaproveitar disso” – finalizou.

A busca pela ressignificação das cores da bandeira brasileira

Não dá pra negar que a bandeira e a camisa do Brasil passaram a ter outro sentido desde a tomada do atual governo. Por isso, despolitizar e ressignificar as cores da nossa bandeira é um ato urgente e revolucionário!

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O rapper Djonga, por exemplo, já usou a camiseta da seleção nacional em seus shows como forma de protestar contra o atual governo. Em uma apresentação que aconteceu no Mineirão, em abril deste ano, ele afirmou que “eles se apropriam do tema, do nosso hino, de tudo” e reforçou que “tudo é nosso e nada deles”.

Anitta ressignificou as cores da bandeira do Brasil ao se apresentar no Rock in Rio Lisboa. Segundo informações, ela quis representar a cultura do funk e da periferia brasileira nos palcos europeus.

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O aquecimento das marcas de moda e beleza para a chegada da Copa do Mundo 2022

Nada diferente dos outros anos, as marcas já estão se preparando para receber a tão esperada Copa do Mundo. A Nike, por exemplo, lançou uma nova camiseta da seleção brasileira que recebeu o nome de “Veste A Garra”. A intenção era homenagear o povo brasileiro com a possibilidade de personalizar a camiseta com qualquer nome que o torcedor escolhesse.

Entretanto, no dia do lançamento, muita gente não conseguiu personalizar a nova camiseta com nomes ligados a religiões de origem africana, como Ogum e Exú. Pois é… Ao tentar inserir estes nomes, independente do tamanho, aparecia a mensagem “Personalização indisponível”. Enquanto isso, nomes do catolicismo, como Jesus e Cristo, estavam disponíveis.

E não demorou muito até que a Nike pudesse emitir uma nota sobre as acusações de intolerância religiosa em relação às religiões africanas: “A falha no sistema que permitiu a customização de algumas palavras de cunho religioso está sendo corrigida”. Com isso, a empresa retirou a possibilidade de personalizar as camisetas com nomes de cunho religiosos ou políticos.

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No mais, hoje, o fato de usar a estética Brazilcore é, sem dúvidas, um ato de resistência e revolução em homenagem à ressignificação da nossa bandeira e respeito às periferias.

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